Não é novidade que a mão de obra feminina é menos valorizada que a masculina, seja por ganharem menos, terem menos espaço e menos cargos de chefia. Entretanto, as estatísticas sobre o mercado de trabalho mostram que os problemas são ainda mais profundos: as mulheres estudam mais, trabalham mais e, mesmo assim, ganham menos do que o homens.

Mulheres no mercado de trabalho

É verdade que houve evolução e mais direitos adquiridos, mas ainda há muito a ser conquistado em igualdade de gênero. A pesquisa mais recente do IBGE diz que das 40,2 milhões de trabalhadoras, 24,3% completaram o ensino superior, enquanto entre os homens ocupados a proporção é de 14,6%.

Essa trajetória escolar desigual talvez possa estar relacionada à entrada precoce dos homens no mercado de trabalho. Na faixa dos 25 a 44 anos de idade, 21,5% das mulheres completaram a graduação, contra 15,6% dos homens.

Considerando a população de 25 anos ou mais de idade com ensino superior completo por cor ou raça, as mulheres brancas estão à frente, com 23,5%, seguidas pelos homens brancos, com 20,7%. Bem abaixo estão as mulheres negras ou pardas, com 10,4% e os homens negros ou pardos, com 7%.

Apesar da diferença entre os salários ter diminuído nos últimos anos, elas ainda recebem, em média, 24% menos do que os homens. Já sobre cargos, o mesmo estudo diz que 6% dos homens trabalhadores são empregadores, enquanto a proporção das mulheres ocupadas nessa posição é praticamente a metade: 3,3%. Ou seja, o fato das mulheres terem estudado mais parece não influenciar em nada.

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Afazeres domésticos

As mulheres dedicam 18 horas semanais aos cuidados domésticos, 73% mais tempo do que os homens (10,5 horas), segundo o IBGE. Ou seja, além do trabalho fora de casa, ainda há tarefas domésticas quando elas retornam para o lar.

Isso se deve ao conceito machista de que limpar e cuidar da casa é tarefa apenas feminina. Da mesma forma, também é um conceito errado dizer que o homem ajuda a mulher em casa, pois se ambos moram no mesmo lugar, as tarefas deveriam ser divididas. Não se trata de ajudar, mas de colaborar na mesma medida.

Talvez não à toa, a proporção de mulheres ocupadas em trabalhos por tempo parcial, de até 30 horas semanais, é o dobro da de homens: 28,2% das mulheres, contra 14,1% dos homens. Uma possível explicação é que, muitas vezes, sobra para a mulher conciliar trabalho e afazeres. Além disso, ainda há as que têm filho pequeno e não conseguem trabalho por tempo integral por não terem com quem deixar a criança no restante do tempo.

Chega de desigualdade

Eu luto pela igualdade de gêneros. Já passou da hora das mulheres serem valorizadas e reconhecidas não só no mercado de trabalho, mas também no dia a dia. Tarefas domésticas devem ser um trabalho colaborativo de todos que vivem na mesma casa. Mudar esses conceitos antigos é um dos primeiros passos para termos uma mudança significativa.

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Eu defendo a causa feminina e luto por oportunidades iguais para todos. Entre minhas propostas, estão ações de conscientização e combate ao machismo, além de capacitação e estímulo à inserção das mulheres na política e em espaços de poder. Juntos, podemos transformar São Paulo. Conto com o seu apoio.