A educação representa o futuro. Como costumo dizer, ela é o motor de qualquer cidade, estado e país. Por isso, não me canso de levantar pautas sobre esse tema. Nesse contexto, um item que merece e deve ser discutido é a evasão escolar.

Dados

Para quem não sabe, evasão escolar é o termo usado quando o aluno deixa de ir à escola. Ou seja, abandona o ano letivo. O Censo da Educação com o balanço de 2017, divulgado pelo MEC, mostra uma queda no país no número de estudantes no ensino médio, que passou de 8,1 milhões em 2016 para 7,9 milhões em 2017.

No ensino fundamental, também houve baixa, mas a queda é mais acentuada em algumas etapas, principalmente nos últimos anos. No 9º ano, por exemplo, o total de matrículas caiu 14,2% entre 2013 e 2017, segundo a mesma pesquisa.

É importante dizer que 2017 é o quarto ano consecutivo com queda no número de matrículas na educação básica. Não à toa, a evasão escolar no ensino médio chega a 11,2%. Esses dados só ressaltam que esse tema preciso ser analisado e debatido.

Causas da evasão escolar

Claro que não há apenas um motivo para os alunos deixarem de frequentar a escola. Gravidez, busca por emprego, falta de alguém para levar e buscar a criança, déficit de aprendizagem, problemas familiares ou de relacionamento com outros colegas na escola, falta de acolhimento, entre outros, podem justificar a evasão escolar.

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E é justamente por haver diversos motivos que não são duas ou três ações pontuais que vão solucionar o problema. É preciso colocar o tema na pauta do planejamento pedagógico no começo do ano e discutir o assunto de forma regular ao longo dos dois semestres.

Algumas soluções

Um exemplo de ação que já foi testada e aprovada em algumas escolas é avisar por SMS os pais caso os alunos faltem. Contudo, cada região tem suas características. Ou seja, nem sempre algo que funciona em um lugar terá o mesmo resultado em outro. Entretanto, é preciso testar diversas opções e observar o que funciona melhor.

Uma política que promova o engajamento das crianças e adolescentes na escola é fundamental. Atividades pedagógicas e extraclasse para integrar os estudantes mais tímidos são mais do que bem-vindas.

O jovem precisa se sentir seguro, respeitado e acolhido no ambiente escolar. Se ele perceber que as atividades oferecidas foram feitas para ele e que a escola é um espaço dele, maior será a chance de se engajar e continuar com os estudos.

Papel dos professores

Da mesma forma, é necessário ter atenção redobrada com os alunos que têm maior dificuldade nas disciplinas e aparentam desmotivação. Por isso, o professor deve perceber e tentar ajudar aqueles estudantes que não fazem os deveres de casa, são muito dispersos durante a aula e não conseguem ter notas boas nas provas.

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Entretanto, claro que para que o professor possa se dedicar mais aos alunos, é preciso tempo. E isso quer dizer que, por trás, também é fundamental ter uma política de valorização muito maior dos professores, com salários mais altos para que não precisem trabalhar em vários turnos, por exemplo.

Outro ponto importante é mostrar que o que está sendo ensinado é ou será útil para a vida do aluno. A educação deve ser apresentada como essencial. Quem vai em busca de emprego sem ter o ensino médio completo costuma conseguir apenas subempregos. Uma pesquisa da FGV diz que o salário aumenta, em média, 15% para cada ano de estudo completo.

No entanto, na verdade, não existe uma fórmula mágica para solucionar a evasão escolar, mas está mais do que claro que esse é um problema em São Paulo e no país inteiro. Somente depois de muitos debates, testes e análises, respeitando as peculiaridades de cada região, é que poderemos melhorar os números.

Por isso, conversar com as pessoas e abrir essa pauta para a sociedade é fundamental. Eu acredito muito na educação como forma de transformação. Não há como construirmos um estado com mais oportunidades para todos sem antes melhorarmos o sistema educacional. E, nem preciso dizer, há muito trabalho a ser feito. Mas, juntos, podemos chegar muito longe!

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