Muito se fala sobre os impactos econômicos do desemprego na vida das pessoas. Claro, ao perder o emprego, é preciso refazer as contas, cortar gastos e readequar o estilo de vida às condições do momento. Contudo, há muito mais que se perde ao ficar sem trabalhar.

O brasileiro leva, em média, 14 meses para encontrar um novo emprego. Segundo pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Entretanto, vale lembrar que hoje há cerca de 13 milhões de desempregados no Brasil.

Mais do que trabalho

É preciso dizer que o trabalho ajuda a construir a identidade das pessoas, porque estabelece vínculos sociais e insere o indivíduo em um grupo. Ele passa a se sentir importante por ter mais responsabilidades.

Ou seja, quando uma pessoa fica sem emprego, deixa de pertencer a um lugar, passa a não ter uma rotina estabelecida, perde funções e, muitas vezes, fica isolada em casa. É comum que haja diminuição da autoestima, sentimentos de frustração e insatisfação com a vida e até depressão.

Algumas consequências

O desemprego entre os trabalhadores que são chefes de família também faz os jovens entrarem mais cedo no mercado de trabalho para ajudar na renda familiar. No entanto, muitas vezes são jovens que ainda nem concluíram o ensino médio.

Por falta de qualificação, irá em busca de empregos precários, que oferecem remuneração abaixo da média. A chance de abandonar os estudos para se dedicar apenas ao trabalho é enorme. Haverá mais pessoas à procura de emprego, porém sem capacitação para as melhores vagas. Vale ressaltar que o salário aumenta, em média, 15% para cada ano de estudo completo, segundo pesquisa da FGV.

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Além disso, o desemprego também aumenta a informalidade. O número de trabalho sem carteira assinada cresceu 2,6% no 2º trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior e 3,5% se comparado com o mesmo período do ano passado, segundo estudo do IBGE.

O número de trabalho sem carteira assinada cresceu 2,6% no 2º trimestre de 2018 em relação ao trimestre anterior e 3,5% se comparado com o mesmo período de 2017.

É importante lembrar que trabalhar sem carteira assinada significa deixar de ter inúmeros benefícios, como férias, 13º salário, contribuição do FGTS, salário-maternidade, auxílio-doença, seguro-desemprego, entre outros.

É fácil constatar que boa parte da população está sem trabalho com carteira assinada. O número maior de pessoas que comercializam produtos dentro de trens e metrôs é reflexo dessa situação. Da mesma forma, o aumento de ambulantes em frente a terminais de ônibus e estações de metrô segue a mesma lógica.

Contudo, a renda mensal das famílias passa a ser menor nesse cenário. Isso significa que o consumo também será menor. Mesmo quem está empregado fica com medo de perder o emprego e também passa a consumir menos. E se há uma quantidade menor de dinheiro em circulação, a tendência é menos vendas no comércio e em prestação de serviços. Ou seja, o desemprego aumenta ainda mais.

Como solucionar o desemprego?

Como é de se imaginar, não existe uma fórmula mágica para resolver a falta de empregos. Contudo, o governo pode fazer inúmeras medidas que, juntas, vão contribuir para a melhora do país.

Crédito e apoio para micro e pequenas empresas, renegociação de dívidas tanto de empresas quanto de famílias e auxílio para que crianças e adolescentes de baixa renda possam continuar na escola são exemplos de ações muito importantes.

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Além disso, para melhorar a qualificação do mercado de trabalho e a média dos salários, é preciso investir em cursos técnicos e de qualificação para os jovens. A educação é a chave para acabar com inúmeros problemas e também para melhorar a economia.

Vou lutar para que o jovem possa se especializar na carreira que deseja. Trabalhar em uma área que realmente se identifica aumenta a autoestima, traz qualidade de vida e incentiva a pessoa a criar e inovar na profissão. Isso é, contribui para o crescimento e desenvolvimento do país.

É nisso que eu acredito. Não podemos desanimar. Investir em Educação com capacitação possibilitará os melhores resultados para São Paulo, além de trazer como consequência a formação de melhores profissionais.