O Brasil tem déficit habitacional de 6,2 milhões de moradias. O dado é de 2015, o mais recente, e foi divulgado pela Fundação João Pinheiro, responsável pelo cálculo oficial do déficit habitacional no Brasil. E o peso do aluguel entra nesta conta.

Faz parte do déficit de moradia qualquer domicílio no qual ocorra uma das quatro situações: habitação precária (domicílios improvisados), coabitação familiar (soma dos cômodos e das famílias conviventes com intenção de constituir um domicílio exclusivo), ônus excessivo com aluguel ou a concentração excessiva de moradores em imóveis alugados.

O estado de São Paulo tem déficit de 1,3 milhão de moradias, o maior do Brasil. Na sequência, estão Minas Gerais (552 mil), Bahia (451 mil), Rio de Janeiro (468 mil) e Maranhão (388 mil), segundo a Fundação.

Aluguel

Pela primeira vez desde 2007, início da série de pesquisas da Fundação, o gasto excessivo com aluguel corresponde a mais da metade do déficit de habitação no Brasil. Cerca de 3,2 milhões de famílias brasileiras comprometiam valor superior a 30% do seu orçamento com aluguel da moradia em 2015. Em 2007, era cerca de 1,7 milhão de famílias. Ou seja, alta de quase 80%.

O estudo da Fundação João Pinheiro é feito a partir de microdados da Pnad (pesquisa nacional de domicílios do IBGE). Esse gasto excessivo com aluguel considera moradores de áreas urbanas com renda familiar de até três salários mínimos.

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Entretanto, o valor do aluguel é ainda maior na região Sudeste, que abriga cidades com custos altos de residência, de acordo com os dados do Índice FipeZap. Nelas, o gasto excessivo de aluguel pode comprometer até 63,4% da renda. Vale lembrar que a cidade de São Paulo tem o aluguel mais caro do país, com preço médio do metro quadrado a R$ 36,90.

Demanda dos próximos anos

O Brasil terá uma demanda superior a 1 milhão de novos domicílios por ano nos próximos seis anos, até 2024, segundo estudo Demanda Futura por Moradia, desenvolvido pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com a Secretaria Nacional de Habitação.

Quem for eleito para o próximo mandato, até 2022, enfrentará no país uma demanda de 4,7 milhões de novas moradias, sendo 1,24 milhão só em 2019. Até 2030, serão necessários 11,6 milhões de lares, uma média de 969 mil ao ano, de acordo com a mesma pesquisa. É importante lembrar que além dessas novas demandas, já existe um déficit habitacional de 6,2 milhões de lares, segundo a Fundação João Pinheiro.

Minha luta contra o déficit habitacional

Nasci com o Direito pela Moradia em minhas veias, já que meu pai há mais de 30 anos atua diretamente no âmbito da mobilização no Movimento pela Moradia Leste II. Neste período, com muito empenho, 35 mil moradias foram entregues.

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Eu luto por mais políticas públicas na área de moradia. Dessa forma, as pessoas podem comprar uma casa de acordo com a renda que possuem. Para quem não sabe, políticas públicas são ações, medidas e programas desenvolvidos pelo estado para garantir e colocar em prática direitos que são previstos na Constituição Federal e em outras leis.

É importante saber que 1% do ICMS arrecadado no estado de São Paulo deve ser investido em habitação popular. Pode parecer pouco, mas esse percentual supera R$ 1 bilhão por ano.

As grandes empreiteiras têm candidatos eleitos para defender o interesse delas. No entanto, falta um candidato do povo, comprometido em defender a expansão de projetos de construção de casas populares.

Eu quero ser essa voz. Quero fiscalizar o que acontece com o dinheiro destinado à habitação. Os interesses de empresas privadas não podem prevalecer e fazer com que o governo se esqueça de seus deveres. Conto com o seu apoio para, juntos, transformarmos São Paulo em um estado mais inclusivo e de mais oportunidades para todos.