Não há como ficar indiferente aos recentes dados que só mostram o quanto tem crescido o número de casos de violência doméstica e feminicídios. Para quem não sabe, feminicídio é o termo usado para o assassinato de mulheres por causa do gênero. Ou seja, quando acontece por ser mulher e não conseguir se defender. Eu defendo propostas para ajudar na causa feminina.

Minhas propostas para a causa feminina

  • Ações de conscientização e combate ao machismo.
  • Capacitação e treinamento de policiais e funcionários de centros de atendimento para assistência correta às mulheres.
  • Expansão de centros estaduais de atendimento às mulheres e de parcerias com ONGs.
  • Capacitação e estímulo à inserção das mulheres na política e em espaços de poder.
  • Apoio às campanhas e ações de ideologia de gênero e defesa das mulheres LGBT.

Dados

O país registrou 221.238 casos de violência doméstica em 2017, segundo o 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Isso quer dizer 606 registros por dia. Trata-se de registros de lesão corporal dolosa enquadrados na Lei Maria da Penha.

Já o número de vítimas de homicídio foi de 4.539 no ano passado, aumento de 6,1% em relação a 2016. Desse total, 1.133 foram vítimas de feminicídio.

Muitas mulheres não conseguem pedir ajuda ou sair de relações abusivas. Isso significa que elas contam com a solidariedade de quem percebe a agressão, seja o porteiro, os colegas de trabalho, os vizinhos, os amigos ou familiares.

Aquela velha frase “em briga de marido e mulher não se mete a colher” é um grande erro nesse contexto. É importante dizer que intervir ou denunciar uma briga pode salvar uma vida. Quem vê uma agressão e se omite também carrega parte da culpa.

O número de estupros em 2017 também cresceu. Foram 60.018 casos registrados, aumento de 8,4% em relação a 2016, segundo a mesma pesquisa.

Causa Feminina: Raio X

O relatório “Raio X do Feminicídio”, feito pelo Ministério Público, diz que 66% dos casos de feminicídio no estado de São Paulo aconteceram dentro de casa, enquanto 6% foram em via pública, 5% no trabalho e 5% em estabelecimentos públicos.

Desse total, em 75% dos casos a vítima tinha laço afetivo com o agressor, isto é, era casada ou namorava. Entre os principais motivos para feminicídio no estado estão separação ou pedido de separação (45%), ciúmes ou posse (30%) e discussão (17%).

Os casos costumam mostrar que agressão e ameaças antecedem as fatalidades. Ou seja, o assassinato pode ser evitado se houver denúncia, ajuda e proteção. Além disso, acima de tudo, é preciso mudar conceitos machistas de posse, porque a mulher não é um objeto em que o homem é dono. Por isso, não adianta tentar justificar atos violentos.

É importante lembrar que cabe ao governo ter uma rede de proteção e de combate à violência eficiente para evitar o aumento do número de morte de mulheres. Além de aprimorar as condutas dos profissionais envolvidos nos processos de investigação e julgamento de crimes de feminicídio, para que saibam como agir e deem assistência correta às vítimas.

Mulheres no mercado de trabalho

É verdade que houve evolução e mais direitos adquiridos, mas ainda há muito a ser conquistado em igualdade de gênero. A pesquisa mais recente do IBGE diz que das 40,2 milhões de trabalhadoras, 24,3% completaram o ensino superior, enquanto entre os homens ocupados a proporção é de 14,6%.

Essa trajetória escolar desigual talvez possa estar relacionada à entrada precoce dos homens no mercado de trabalho. Na faixa dos 25 a 44 anos de idade, 21,5% das mulheres completaram a graduação, contra 15,6% dos homens.

Considerando a população de 25 anos ou mais de idade com ensino superior completo por cor ou raça, as mulheres brancas estão à frente, com 23,5%, seguidas pelos homens brancos, com 20,7%. Bem abaixo estão as mulheres negras ou pardas, com 10,4% e os homens negros ou pardos, com 7%.

Apesar da diferença entre os salários ter diminuído nos últimos anos, elas ainda recebem, em média, 24% menos do que os homens. Já sobre cargos, o mesmo estudo diz que 6% dos homens trabalhadores são empregadores, enquanto a proporção das mulheres ocupadas nessa posição é praticamente a metade: 3,3%. Ou seja, o fato das mulheres terem estudado mais parece não influenciar em nada.

Afazeres domésticos

As mulheres dedicam 18 horas semanais aos cuidados domésticos, 73% mais tempo do que os homens (10,5 horas), segundo o IBGE. Ou seja, além do trabalho fora de casa, ainda há tarefas domésticas quando elas retornam para o lar.

Isso se deve ao conceito machista de que limpar e cuidar da casa é tarefa apenas feminina. Da mesma forma, também é um conceito errado dizer que o homem ajuda a mulher em casa, pois se ambos moram no mesmo lugar, as tarefas deveriam ser divididas. Não se trata de ajudar, mas de colaborar na mesma medida.

Talvez não à toa, a proporção de mulheres ocupadas em trabalhos por tempo parcial, de até 30 horas semanais, é o dobro da de homens: 28,2% contra 14,1%. Uma possível explicação é que, muitas vezes, sobra para a mulher conciliar trabalho e afazeres. Além disso, ainda há as que têm filho pequeno e não conseguem trabalho por tempo integral por não terem com quem deixar a criança no restante do tempo.

Causa Feminina

Apesar de não ser mulher, minha luta é pelos menos favorecidos, pelas minorias, pelas pessoas que não têm voz e que são, por vezes, esquecidas. Quero que os discursos machistas sejam eliminados e que a sociedade tenha consciência de que o machismo pode, sim, matar.

Quanto mais falarmos sobre isso, maior será o empoderamento feminino. Assim, as pessoas serão também menos tolerantes a atos violentos. Portanto, é nosso papel denunciar agressões.

Da mesma forma, luto por oportunidades iguais para todos. Entre minhas propostas, estão ações de conscientização e combate ao machismo, além de capacitação e estímulo à inserção das mulheres na política e em espaços de poder. Juntos, pela causa feminina, podemos transformar São Paulo. Conto com o seu apoio.