Há uma grande diferença entre escolas públicas e privadas. Não apenas na qualidade de ensino, mas também nas partes de infraestrutura, métodos, organização e cobranças de rendimento dos alunos. Claro que há escolas particulares que não são tão boas e há públicas que são referência. No entanto, de maneira geral, os alunos da rede privada têm melhores desempenhos.

Escolas públicas x particulares

Considerando 10% das escolas com as maiores notas no Enem 2017, 18% são públicas e 82% são particulares. Vale dizer que todas as públicas nesse grupo de elite são federais ou estaduais de ensino técnico, segundo levantamento do jornal Folha de S.Paulo feito com dados do MEC. No outro extremo, entre 10% das escolas com menores notas, todas são públicas.

O mesmo estudo mostra que a média geral de todos os participantes do Enem do ano anterior foi de 514,65. Entretanto, 70% das escolas públicas ficaram abaixo desse patamar. Já entre as escolas particulares, somente 2% tiveram desempenho inferior.

A média das escolas privadas foi de 591,25, mais de 90 pontos acima da média da rede pública, que responde por oito em cada dez alunos do ensino médio. A diferença na nota pode ser observada em todas as disciplinas, mas o grande abismo está em matemática.

Das escolas públicas com dados calculados, 80% têm nota de matemática inferior a 518,5, média geral de todos os participantes da prova nessa disciplina. Nas outras áreas, esse percentual varia de 69% a 72%.

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A pesquisa mostra ainda outro desafio das escolas públicas, que é fazer com que os alunos prestem a prova do Enem e tentem ingressar no ensino superior. Só 38% das 19.490 escolas públicas de ensino médio do país tiveram mais da metade dos alunos no Enem 2017. Das 8.271 privadas, 75% atingiram esse patamar.

Vale lembrar que o Enem é porta de entrada para praticamente todas as universidades federais e para algumas estaduais, como a USP. Além disso, o exame é critério para bolsas do ProUni e para o Fies. Tanto as federais quanto a USP têm programas de reserva de vagas para alunos de escolas públicas.

Alguns problemas da rede pública

De maneira geral, as escolas públicas possuem salas lotadas, poucos recursos de infraestrutura e algumas ainda têm problemas de falta de professores. Além disso, quatro em cada dez professores do ensino médio do país dão aulas de disciplinas para as quais não tem formação específica, segundo o Ministério da Educação.

Uma pesquisa feita pelo Ibope Inteligência diz que 48% dos professores afirmam que não recomendariam a própria profissão para outra pessoa. Os principais motivos são desvalorização da carreira e má remuneração.

Vale lembrar que os professores brasileiros ganham 25% menos do que profissionais de outras áreas com mesmo nível de formação, segundo pesquisa do Inep. Oferecer cursos de qualificação para os professores que já estão dando aula é um bom começo para melhorar a qualidade da educação.

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Contudo, também é importante que ganhem bem. Caso contrário, terão que dar aulas em mais de uma escola e, assim, não sobrará tempo para se especializar. Ouvir os docentes em debates públicos e na formulação de políticas educacionais também é fundamental.

Há um longo caminho para percorrer até que todas as escolas públicas melhorem a qualidade e possam se tornar referência de ensino. Entretanto, defendo como base a valorização dos professores.

Falar de educação é falar sobre o futuro do país. Vou lutar para que as vozes dos professores sejam ouvidas. Juntos, podemos enriquecer os debates e chegar mais longe. Conto com vocês para transformar São Paulo em um lugar mais inclusivo, de mais oportunidades e com professores mais valorizados.