Nossa presidente recém-afastada Dilma Rousseff foi confirmado que o presidente em exercício Michel Temer deveria defender a recriação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Por quê?

Ela explicou que fez todos os esforços para não fazer cortes em programas sociais, mesmo com as dificuldades econômicas enfrentadas pelo Brasil, em 2015 e que seu governo assumiu a proposta de recriar a CPMF sem pudor. Mas, ela disse recriar – isso mesmo, transformando esse processo, ajustando essa medida, colocando – no português claro – ordem na ‘casa’ do jeito certo e não, simplesmente, impondo. E, claro, ele está tendo dificuldades não só nesse sentido, mas também quando o assunto é reforma da Previdência Privada – em especial em relação à idade mínima e ao aumento do tempo de contribuição. Outro ponto que elas querem discutir hoje com o novo governo é a revisão da legislação trabalhista.

Dilma foi enfática e, decepcionada, disse:”Vai ter corte na saúde. Depois voltaram atrás. Os que são chamados de coxinhas acreditam que o Bolsa Família é uma esmola. Não é. Ele tem efeito enorme sobre as crianças. Entre fazer isso [cortes em área sociais] e criar um imposto, cria um imposto! Para com essa história de não criar a CPMF. Só não destrói a educação e a saúde”, afirmou.

O atual diagnóstico das finanças do governo federal, que tem sido levado a Temer por consultores da área econômica, aponta que dificilmente o governo terá condições de reverter o rombo fiscal sem elevação de receitas e só com medidas de corte de despesas, mesmo com estratégia de um ajuste gradual. Mas, minha pergunta – nesse sentido – é: então tirando investimentos em educação e saúde será possível? E ainda assim há a necessidade de voltar com a CPMF? E mexer na Previdência?

Para quem tem me questionado e/ou ainda não sabe porque a CPMF ‘assusta’ a maioria dos brasileiros vou explicar.  A volta da CPMF incidiria sobre todas as transações bancárias, o imposto contribuiria para o aumento dos preços finais para o consumidor final – nós, cidadãos. Na verdade é como se fosse um efeito dominó, pois toda vez que o dinheiro sai de uma mão para outra ela é cobrada, por exemplo, o fornecedor paga, o comerciante também e o consumidor também e todo esse processo, inevitavelmente, encarece os produtos e serviços.

O efeito da CPMF sobre os preços pode ser tanto maior quanto mais complexa for a produção do bem em questão. Itens manufaturados, por exemplo, que passam por várias etapas de produção até chegar ao consumidor final, podem sofrer maior aumento de preço. Ou seja, no momento atual de contínua crise econômica, esse sistema precisa ser estudado e – se recriado – com cautela.

Por fim, fica a minha nova reflexão: há muito que mudar, o que melhorar e até o que cortar. mas, qual a dificuldade em priorizar esses cortes e mudanças em tão pouco tempo? Por que faz conta está sendo tão difícil e em tão pouco tempo estamos tendo tanto o que Temer?

Há, sim, muito a Temer. Continuamos na luta!

Emiliano Zapata