Você tem ideia que somos o país que mais mata transexuais em todo o mundo? O Brasil é líder no raking desses assassinatos, segundo dados da organização não governamental (ONG) Transgender Europe (TGEU) em matéria da revista Superinteressante de junho de 2015; só no primeiro semestre do ano passado já eram 70 vítimas trans.

Esse aspecto não é nada recente. Só entre janeiro de 2008 e março de 2014 foram registradas 604 mortes no Brasil, ainda de acordo com a (TGEU) – rede europeia de organizações que apoiam os direitos da população transgênero.

Um relatório sobre Violência Homofóbica no Brasil, publicado, em 2012, pela Secretaria de Direitos Humanos (hoje Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos), por exemplo, ilustrou – em matéria de junho de 2015 na Agência Brasil – o recebimento, pelo Disque 100, de 3.084 denúncias de violações relacionadas à população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros), envolvendo 4.851 vítimas.

Em relação ao ano de 2011, houve um aumento de 166% no número de denúncias; foram contabilizadas 1.159 denúncias envolvendo 1.713 vítimas. As denúncias até ocorrem, mas e o preconceito? Também continua ocorrendo!

Hipocrisia explícita

Mais uma vez estou ilustrando dados que são horrorosos e nada recentes, o que prova que o nosso histórico está ruim e que não estamos evoluindo nada nesse aspecto. Quanta hipocrisia. Quanta injustiça. Que vergonha!

O ambiente no Brasil não é seguro e nem oferece o cuidado necessário para essas pessoas que, por estarem desamparadas, já apresentam 90% das meninas, por exemplo, ‘empurradas para a prostituição’, segundo dados da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil) também na Superinteressante.

Um cenário pavoroso, que reflete em um preconceito que só aumenta e em consequências para o futuro das próprias vítimas e das famílias e amigos envolvidos que praticamente (e generalizadamente) não sabem o que fazer.

Essas vítimas de violenta repressão precisam de direitos iguais, no Brasil e em todo o mundo!

A situação das pessoas transgênero varia muito no mundo.

Da repressão à proteção legal

Segundo reportagem de junho deste ano no Bem Estar / G1, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) registrou 80 países em que as relações homossexuais ou a promoção dos direitos das pessoas LGBT são condenados, às vezes com flagelação ou até com a pena de morte. Seria o mínimo, não?

Os Estados Unidos são um dos países com leis mais avançadas em matéria de proteção contra a discriminação das pessoas transgênero. Mas estas leis também variam de estado para estado.Na Europa, o Parlamento Europeu aprovou em 1989 uma resolução que proibia a discriminação com as pessoas transgênero. Mas, só 13 dos 28 países-membros da União Europeia proíbem explicitamente a violência contra este grupo, segundo a organização “Transgender Europe”.

E no Brasil? O assunto é discutido por grupos nichados, pouco falado pela mídia, pouco compreendido e de forma muito preconceituosa, pouco ou nada é feito.

Gostaria de firmar meu compromisso com essas vítimas e enfatizar que repudio qualquer barbárie de qualquer nível relacionada à transfobia.

Não apoio e nunca vou apoiar nenhuma ação que limite, restrinja e exclua, em vez de incluir.

Estou e continuarei com vocês nessa batalha pelo fim dessa hipocrisia!

Emiliano Zapata