Nos últimos dias li uma notícia que, infelizmente, só confirmou o que eu sabia: existe em nosso país uma triste e atual política de extermínio da nossa juventude, sobretudo no que diz respeito aos jovens negros, pobres e pertencentes à periferia.

Durante entrevista exclusiva para a agência PT, o senador Londbergh Farias (PT-RJ) e também relator da Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado do “Assassinato Jovens do Brasil” afirmou que hoje nós temos em nosso país, uma média de 60 mil homicídios por ano, sendo que 50% desses são jovens, 77% dos jovens são negros e moradores das periferias. Não é assustador para você saber disso?

Esses dados fazem parte do relatório da CPI, que está sendo entregue neste mês com mais dados alarmantes, com o objetivo de identificar as causas e os principais responsáveis pela violência letal da nossa juventude, e assim, seja possível criar mecanismos para prevenir e combater esse genocídio de jovens brasileiros.

Para exemplificar o assunto e, principalmente, frisar o caráter racista desse extermínio, o senador lembrou na reportagem, o caso ocorrido em 28 de novembro de 2015, quando a Polícia Militar do Rio de Janeiro disparou mais de 100 tiros contra o carro onde estavam cinco jovens, todos negros – mas, a questão central é como reduzir esses homicídios e, de fato, conseguirmos implementar um “Plano Nacional de Redução de Homicídios de Jovens”?

Essa prioridade é para ‘ontem’, uma vez que cuidar dos nossos jovens é zelar pelo nosso país. Já disse centenas de vezes – mas, não canso de repetir – que jovens e crianças são, e sempre continuarão sendo, o futuro do Brasil e o mapa dessa violência no país te quem ser priorizado.

Segundo a deputada Manuela D’ávila, ano a ano existem duas vezes e meia mais homicídios contra jovens do que nas demais faixas etárias e a maioria relacionadas à violências externas. Por que? Até quando vamos ter essas informações dia a dia nos noticiários?

Muitas vítimas, muitas causas, poucas soluções

Levantamentos e pesquisas de diversas instituições dão o diagnóstico de que o maior número de mortes violentas no país se dá na população masculina entre 16 e 28 anos, enfatizando, portanto, entre os jovens – em uma época tão rica de suas vidas, quando essas pessoas estão preparadas para a carreira, o trabalho e – assim – proporcionar todas as possibilidades de crescimento e maior desenvolvimento de seu estado; de seu país.

De acordo com o mesmo relatório de 2015, com relação as causas: há, de um lado, a pobreza, a falta de condições e de oportunidades dessa juventude pobre, negra e de periferia no Brasil. Por outro lado, há  – claramente – a cooptação de parte desses jovens vulneráveis pelas organizações criminosas, acarretadas pelas faltas de oportunidade, ausência de educação e de todas as deficiências relacionadas com cultura e cidadania que nosso atual sistema (não) oferecem.

O ‘curioso’, mas não surpreendente, ponto é também que na última década temos a diminuição do número de jovens brancos mortos e aumentou o número de jovens negros mortos.

Outro fator também, com certeza, é relacionado com a (falta de) estrutura de segurança pública treinada para o conflito armado, justificado pela guerra às drogas, somado à figura do auto de resistência, que praticamente inviabiliza qualquer investigação e punição aos autores dos homicídios – ponto que merece e precisa de aprofundamento dos órgãos responsáveis.

Muitas dessas mortes ocorrem ainda pela resistência do jovem à ação da polícia, mas essa é uma figura incomum nas sociedades democráticas, que existe só no Brasil, e que não pode ser usada como pretexto para o extermínio dessa juventude (que tanto precisamos)!

Trago esses dados, por meio dessa reflexão, com muita tristeza – mas, com a esperança de estar conseguindo olhar para esses jovens e crianças, acreditando nas minhas causas adotadas já para 2016, principalmente as relacionadas com Educação Contempladora, Cidadania Cultural e Lazer pra Rua – atreladas às Políticas Públicas que tanto incentivam esses planos de metas a serem, de fato, colocados em prática.

Precisamos cuidar dos nossos jovens e, pode ter certeza, você contar comigo para isso!

Emiliano Zapata