Você já ouviu falar de escola charter? Hoje vou trazer uma polêmica sobre o tema, mas explicar sua proposta e – claro – a minha solução para a questão.

Em poucas palavras, escola charter é uma escola mantida com recursos públicos, mas cuja gestão é privada. Ela tem origem na década de 1980, projetada para ser uma escola liderada por professores e para acolher os alunos que fracassavam nas escolas tradicionais.

Quando criado o projeto, pensavam que poderiam contornar regras administrativas para poder experimentar diferentes abordagens de ensino com estudantes que enfrentam desafios maiores. Mas, infelizmente, essa boa ideia virou uma indústria mafiosa poderosa, que compete com as escolas públicas para atrair estudantes e recursos públicos preciosos e – desta vez – eu não estou falando do Brasil!

Segundo o professor da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – Luiz Carlos de Freitas, em post recente no seu blog, nos últimos 20 anos os Estados Unidos incentivou o aparecimento e crescimento das escolas charters (escolas públicas administradas por concessão à iniciativa privada) e atualmente existem cerca de 6.000 escolas charters por lá, em meio à descontroles e fraudes. O assunto, que estaria ‘para chegar por aqui’ divide opiniões, já que a proposta é que as escolas recebam do Estado uma importância (em dólares ou, no nosso caso, em real) por aluno que matriculam. Já imaginou?

Na prática é como se toda a rede pública estadual de São Paulo fosse terceirizada. No nosso país, Goiás estuda privatizar a educação através de terceirizadas. Você acha que o Ministério Público está preparado por aqui para esse formato?

Bem, independentemente das questões de financiamento, um ponto que realmente gostaria de destacar – que é pelo qual eu realmente me interesso e me identifico é o aspecto educacional. O argumento que alimenta a discussão nos Estados Unidos, como aqui, é o de que as escolas, uma vez livres da mão pesada do Estado, oferecem melhor qualidade de ensino para populações marginalizadas e acabam por estimular melhores resultados em todo o sistema educacional público. Será que é isso que faz a diferença nos momentos de aprender?

Um artigo publicado pelo economista Naércio de Menezes cita estudos comparativos feitos nas escolas norte-americanas, a partir de um diagnóstico feito em 2006 pela principal avaliação nacional. E sabe qual foi o resultado? Os alunos das charters contempladas tiveram desempenho inferior ao dos alunos das escolas públicas.

Não vou detalhar o sistema aplicado, nem discutir se daria ou não certo no Brasil sem evidências – já que sabemos que a teoria não compete com a prática. Mas, defenderei o ponto central do meu discurso quando o assunto é educação.

Se as pessoas são diferentes e não aprendem da mesma forma, por que ensinar a elas da mesma maneira? São Paulo e o Brasil precisam de uma Educação Contempladora! Diversos pesquisadores de Harvard afirmam, e conseguem comprovar, que existem sete (7) tipos de inteligência e – por isso – precisamos entender como conhecer, introduzir e – de fato – aplicar esses formatos para transformá-los em habilidades.

Por meio desse projeto, que já dá certo comprovadamente lá fora, quero implementar novos exemplos que já temos para nos espelharmos, com esses sete tipos de inteligências, que são: a Inteligência Interpessoal (capacidades maiores relacionadas com responsabilidades), a Inteligência Motora ou Corporal (talento em expressão corporal e facilidade com movimentos), a Inteligência Lógica (habilidades em memória, matemática e lógica), a Inteligência Espacial (maior capacidade de criação), a Inteligência Intrapessoal (facilidades com lideranças, entendimentos e desenvolvimento), a Inteligência Linguística (facilidade de se expressar, tanto de forma oral quanto escrita) e a Inteligência Musical (habilidades com sons, notas e instrumentos).

O Lula é um notório exemplo de Inteligência Interpessoal, o jogador Sócrates, da Inteligência Motora ou Corporal. Albert Einsten é notório em Inteligência Lógica, enquanto Frida Kahlo tinha evidenciada a Inteligência Espacial. Papa Francisco exemplifica a Inteligência Intrapessoal; Chico Buarque, a Linguística e Maria Bethânia, a Musical.

Quero ajudar a garantir esse direito à educação da melhor forma, reconhecido pela Constituição Federal de 1988, de forma transversal com a Educação Contempladora para que realmente todos os alunos, de qualquer rede de ensino, sejam totalmente contempladora para estimular o exercício fundamental para cidadania e qualificação: por meio do conhecimento de cada um, com cada tipo de inteligência específico.

Por isso, acredito e vivo pela educação. É por essa Educação Contempladora que luto como realidade. Porque de possibilidade já estamos cheios…

Educação Contempladora já!

Emiliano Zapata