Estamos no mês de maio – que normalmente é marcado por efemérides conhecidas, como mês das noivas e Dia das Mães, mas que dessa vez foi caracterizado de forma ainda mais marcante para a história do Brasil e dos brasileiros.

O Senado aceitou, no último dia 12, o pedido de abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e foram 55 votos a favor e 22 contra. Depois de uma sessão que durou quase 21 horas, Dilma teve que deixar a Presidência um ano e quatro meses depois de assumir seu segundo mandato e eu só consegui pensar em uma coisa: ‘estou vivendo para ver isso’ e – sim – ainda é melhor estar vivo para ver isso, não ignorar, encarar e lutar.

Muitas outras coisas rodearam a minha cabeça e vou compartilhar algumas com você. Já parou pra pensar na força dessa mulher, como presidenta (ou ex no momento atual), como pessoa, como mãe e avó? Já pensou que às vezes esquecemo-nos de pensar em alguém – de fato – como ser humano, antes de qualquer coisa? Ou você só a enxerga como autoridade, pela existência de seu cargo político e público?

Consegue imaginar como anda a estrutura física, psicológica e toda a parte emocional dessa mulher, que é trabalhadora e mãe multitarefa? Eu não nasci mulher e tenho exemplos em casa que me fazem imaginar como é difícil ser mulher (principalmente no Brasil), mas essa fase política que estamos vivendo só me mostra que o que vem ocorrendo está passando de debates e indignações políticas para desrespeito pessoal e isso é muito (muito) sério; isso é além de defesa partidária, aliás…

Trago este assunto porque consigo ver na Dilma a figura da minha mãe e também a força do meu pai e quero falar dos dois e dessa garra que só eles possuem e me encorajam a lutar, lutar e lutar. Porque eles mostram que, assim como a Dilma que continuou firme até seu último discurso ainda como presidenta (sem derramar uma só lágrima em público ou demonstrar sua fragilidade), têm autenticidade, esperança, crenças e – mais do que isso – atitudes!

Quantas lágrimas você já derramou e teve seus pais e sua família para lhe dar ombros e enxuga-las? Já pensou que nessa e em tantas outras adversidades sua família esteve contigo? Já agradeceu seus pais pelo que eles representam para você hoje? Qual é a sua base?
Enquanto uns demonstram fraqueza e tentam me mostrar que a democracia pode perder e se apagar bem na minha frente, minha mãe me ergue, me acompanha, vai às manifestações a favor da democracia comigo e me enche de orgulho em toda a sua luta até mesmo antes de eu nascer. Mais do que uma mãe, que exemplo de mulher. Que orgulho de ser seu filho, Vera!

Enquanto outros mostram fragilidade e tentam me fazer desacreditar de fatos que eu sempre acreditei, meu pai me prova que cada pequena conquista vale a pena e pode se tornar grande com esforço e verdade. Mais do que um pai, que exemplo de liderança. Que orgulho de ver você à frente do segmento de mobilização popular – Movimento pela Moradia – há tantos anos com o mesmo empenho do início, Neto!

Para todos são a Vera e o Neto, para mim são minha mãe e meu pai. Eu realmente fui abençoado de ser fruto de exemplos de cidadãos que acreditam em cada ser humano de forma única, mas, mais do que isso, creem no coletivo em prol do individual – ou seja – não somos e nem seremos nada sozinhos.

Neste mês das mães e de mais um aniversário do meu pai (em 21 de maio) trago este artigo em formato de agradecimento. Comparo-os com muita tranquilidade com Dilma Roussef, pois para mim são representatividades incomparáveis. Vocês me representam.
Gratidão por toda a minha família, valorize a sua em vida, faça por eles e os aproveite.

Mãe e pai que toda a felicidade os acompanhe e que vocês nunca se esqueçam do quanto são importantes para mim.
Com amor, orgulho e gratidão.

Emiliano Zapata