Enquanto a mídia dá audiência, o assunto vira pauta, mas em São Paulo questões de saneamento básico nas favelas e comunidades quase não são abordadas – será que os vereadores esqueceram-se dessa triste realidade? Ou fingem que ela não existe para as ‘minorias que são centenas de famílias’?

Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico de 2014, com os mais recentes dados nacionais sobre o assunto, 35 milhões de brasileiros não têm acesso aos serviços de água tratada. Já metade da população não têm coleta de esgoto, sendo que apenas 40% do que é coletado é tratado. Claro que estou falando das famílias de baixa renda – muitas delas residentes em áreas irregulares.

Falando em áreas irregulares, São Paulo ocupa o topo do ranking nacional com 2.073 locais em condições precárias e mais de 90% desses esgotos, das favelas e ocupações irregulares, são jogados no meio ambiente. Essas habitações não possuem esgotamento sanitário e, como não possuem acesso à rede de esgoto, jogam ainda seus dejetos a céu aberto – gerando problemas ambientais ainda maiores, como a contaminação de rios e de água subterrânea, além do aumento de risco de doenças, como diarreias, verminoses, doenças de pele, entre outras.

O ponto-chave desse assunto é que as pessoas que habitam essas regiões, onde a topografia é irregular, não é que as pessoas que moram nessas comunidades não pagariam por serviços de saneamento – mas, principalmente, que esses serviços não chegam a essas áreas. Por que não? Porque esses becos, vielas, morros e ruas escuras e com condições deploráveis estão esquecidos e são vistos como minorias e sinônimos de criminalidade e tráfico de drogas?

É preciso abrirmos ainda mais os olhos para esse descaso e essa desigualdade de valores e condições básicas, pois essas pessoas não têm o mínimo para se viver e ainda tentam fazer a diferença a procura de trabalho e educação nos grandes centros da capital, buscando o futuro que desconhecem, mas vivendo a vida que ninguém vê.

Verear é muito mais que assumir um posto como vereador e é essa diferença que eu quero fazer, lutando pelas minorias e me colocando – efetivamente – no lugar do outro.

As comunidades são as pontas transformadoras de São Paulo e de qualquer cidade. Podem ser sinônimos de uma nova chance, de recomeços, podem fazer toda a diferença. Nenhum sonho e nenhuma luta devem ser tratadas como abismos, como “fundo do poço”.

Todo beco precisa de luz para iluminar qualquer caminho. Juntos, vamos clarear toda desigualdade!